Este é um blog pessoal, onde colocarei textos escritos por mim em momentos de alegria e de angustia e textos que chegam em minhas mãos através de e-mails de amigos e que de alguma forma tocam meu eu interior.

25 de janeiro de 2017

Raízes

Algumas pessoas, nascem e morrem onde nasceram, mesmo com uma vida bem longa. Parecem árvores centenárias com suas raízes se esparramando, muitas vezes no escondido da terra, outras se espalhando sobre a terra onde todos possam vê-las e admira-las.
Outras pessoas saem de onde nasceram, vão procurar novos lugares onde possam se enraizar, encontram e aí ficam.
No entanto outras nascem sem criar raízes profundas em nenhum lugar, mas por onde passam vão deixando sementes da sua passagem pelo local. São pessoas que a alma precisa voar, precisa conhecer novas almas, novos lugares, sonhar sem saber que está sonhando muitas vezes, porém sempre buscando mais, não coisas materiais, buscando o para que veio, ou para a missão a que se destinam.
Quando criam consciência que não são cidadãos de um só lugar, mas cidadãos do Mundo, do Universo, sua alma fica leve e por onde passam deixam sua marca, em amigos, em feitos. Necessitam de novos conhecimentos, novos saberes, criar, plantar e procuram fazer um mundo melhor ao seu redor e com os com elas vivem. São amadas, invejadas, caluniadas, muitas vezes choram a angustia da incompreensão ou de estarem sós; não são solitárias e nem sofrem de solidão, precisam de seu canto, de seu espaço de refazimento e tem consciência dessa necessidade.
São pessoas alegres, que se exigem muito, mas também exigem do outro, embora tenham sempre uma desculpa para o outro, mas não para si mesma.
Sentem muitas vezes necessidade de criar raízes, se entregar ao convívio com as pessoas, com a comunidade, mas logo sua alma anseia por novas oportunidades que nem elas mesmas sabem qual é o anseio. São livres e ao mesmo tempo prisioneiras da liberdade, travam grandes batalhas com elas mesmas e quando a alma perde se sentem realizadas momentaneamente, mas logo a necessidade de novos voos, que não precisam ser de mudança de lugares, mas de atitudes, de trabalhos, lazeres, mudanças interiores que lhe trazem um novo ver na sua liberdade, amam muito, mas muitas vezes parece que não amam ninguém por essa necessidade de estar só de criar asas .
São almas errantes ou então almas que sabem que há um proposito para tudo isso, porem ainda não chegaram até ele e continuam querendo alçar voo.
Quando acreditam que chegaram se entregam, se alegram, ficam em harmonia com elas mesmas, se ferem, não compreendem ou são incompreendidas, lutam até o momento em que a inquietação da alma as levam para alçar novos voos. Quando o medo toma conta, vão buscar sua força no Senhor da Vida, procuram a harmonia e quando aceitam partir para o novo voo o coração se acalma e tudo flui.
Sonhar com raízes profundas, aparentes ou levadas pelo vento para muitos lugares sempre nos leva a novos conhecimentos de nós mesmos e da vida, nos leva mudanças e as mudanças interiores feitas para o amor incondicional, nos liberta, nos dá alegria e paz interior, e fazemos muito pouco sempre, mas procuramos fazer nosso melhor para todos o que reflete ao nosso redor e novas sementes são levadas pelo vento do amor para muitos lugares e não só ao nosso redor vai melhorando, mas o Universo todo recebe vai espalhando essas sementes.
O mundo vai se abrindo e colorindo sem mesmo percebermos como e que estamos fazendo parte dessa semeadura, a tristeza, o ódio e a desarmonia vão desaparecendo nos corações, nas palavras e nas atitudes, vamos deixando de ser um individuo egoísta para sermos indivíduos que amam e respeitam o próximo e a si mesmos, desapegados, deixando sua alma voar, sonhar.


31 de julho de 2016

Uma Vida de Paixões

Cecília sempre foi uma mulher apaixonada pela vida.
Casou, teve filhos, ativa e sonhadora. Sonhava com amores, paixões mescladas de amor e ódio. Muitas e muitas vezes olhava para a calma do companheiro e em sua mente vinham paixões passadas, de outras vidas e embora amasse seu companheiro, sua família sentia que não encontrara o amado a quem seu coração pertencia pela eternidade. Um dia seu companheiro partiu e Cecília fechou seu coração., mas não conseguiu fechar suas lembranças.
Em sua longa vida de espírito livre tantas paixões e tantos amores haviam batido em sua porta, este havia sido um refrigério, uma amigo que caminhava a seu lado ensinando e aprendendo.
O tempo, há o tempo foi passando e Cecília começou a sentir saudade de seu eterno amado, e um carinho por seu companheiro que partira.
Um dia a saudade era tão intensa que Cecília queria sair, queria encontrá-lo em qualquer esquina da vida, porém sabia que não era possível, sua dívida era grande para com o amor, errara muito por causa desse amor. Sabia que precisava primeiro resgatar o amor nela mesma, o amor que não soubera manter puro em seu coração e chorou... chorou muito...
Perdida em seus pensamentos Cecília vai caminhando à beira-mar e vai relembrando tantos momentos diferentes em que puderam estar juntos, momentos marcados por separações dolorosas, em que o ódio, a mágoa, a revolta e a vingança são a tônica dessas vidas.

30 de julho de 2016

Equilíbrio e Harmonia

O dia amanheceu cinza como seu coração. A dúvida estava dentro e fora dela.
Será que chove? Será que vou ou não vou? Já faz tanto tempo, passaram-se anos, parecia que tudo estava resolvido e esquecido; de repente um simples pensamento vindo não se sabe da onde ao acordar trouxe tudo novamente como se estivesse acontecendo naquele instante.
Dor? muita.
Saudade? Imensa.
Dúvidas? Todas.
Somos seres de múltiplas faces, de múltiplas vidas, de pensamentos e sentimentos que vão ao sabor das marés, ao sabor do vento.
Quanta controvérsia em nós. Estamos alegres e basta uma folha cair para viajarmos longe em nossos pensamentos e nosso humor já muda.
Buscamos o equilíbrio e não sabemos onde procurá-lo, quando ele está dentro de nós. No amor que temos, no perdão que damos, principalmente a nós mesmos, no não nos deixarmos levar por fantasias que não nos levam a nada e a lugar nenhum.
O equilíbrio e a harmonia interior são conquistas diárias nas nossas lutas por sermos melhores, não melhores para o outro o que já ajuda e muito, mas melhores conosco, não nos criticando por qualquer coisinha, deixando-nos embrutecer com o que o outro fá-la ou faz; percebendo a cada dia o que nos dá paz e tranquilidade e usando nos momentos de turbulência. Amor e harmonia são mais que sentimentos ou estado de alma, são a centelha divina em nós agindo a nosso favor e irradiando ao nosso redor com gestos de gentileza, respeito e caridade.
Ao olhar uma nesga de sol que aparecia, ela percebeu que havia deixado se perturbar por pensamentos que não mais deveriam perturbá-la e recolheu-se com a nesga de luz que viu e foi irradiando essa luz para cada pensamento nebuloso e recuperando a harmonia interior percebeu a fragilidade que é cada um de nós.

27 de julho de 2016

Em Busca da Menina que Ficou

Uma menina de oito anos olha o mar e o barco que a levará embora para muito longe ao encontro de seu pai que já partiu há algum tempo neste mesmo barco.
Ela compreende que esta partida não terá volta, que uma parte dela aí ficará para sempre com seus sonhos, sua alegre infância embora solitária sem amigos, mas tinha seu próprio mundo e o amor de seus pais. Agora começava a fazer amiguinhas na escola e tinha que deixar tudo isso pela promessa de uma vida melhor para todos. Ela não entendia o que poderia ser melhor que ir na escola aprender a ler sozinha, a escrever o que lhe vinha na cabeça, brincar com seus poucos brinquedos e sua tão amada boneca de olhos azuis.
Ela não chorava, no coração tinha a alegria de abraçar o pai em breve, o sonho de uma nova escola e a possibilidade de finalmente ter amigos reais para brincar.
Ela partiu e uma parte dela ficou ali em cada parte em que ela viveu desde que nasceu.
Como tantas crianças que partiram daquela terra e de outras com a esperança que um dia voltariam e a menina que partiu e a que ficou se encontrariam e seriam uma só.
Quem parte nunca é plenamente feliz, sempre fica um doce chamado do que não vivemos e a saudade do que deixamos.
Vamos crescendo, formando nossas vidas, famílias, envelhecemos e um dia voltamos, olhamos aquele mar, aquele lugar e resgatamos aquela menina, ouvimos pessoas falando com orgulho de não terem ido embora e então percebemos que temos orgulho da terra em que nascemos, mas nos rumos que tomamos pro vontade própria ou não temos orgulho da terra que nos recebeu de braços abertos e que vamos levar nossa menina junto.
As lembranças passam a ser mais doces, os lugares mais bonitos, não estamos mais presos ao que poderia ter sido, ao eu era feliz naquela vida simples, carente de muitas coisas, mas com alegria vemos que a simplicidade continua a existir, mas quem ficou tem tudo o que precisa e até mais que nós que partimos.
Não importa a idade que temos recuperar a alegria da infância interrompida sempre é bom e nos abre para novas perspectivas, nos tira do tipo que acabamos criando para nós mesmos, nos faz perceber que em qualquer época de nossas vidas temos que ser inteiros em tudo. Perdas sempre vamos ter, saber vive-las é sabedoria que não tem preço, viver a simplicidade em nosso eu interior sem imposições, negações, hábitos e pré conceitos, o segredo para ser feliz.

18 de maio de 2016

Uma carta para mim

Quantos de nós nunca nos vimos. Um dia começamos a tirar as máscaras de cada dia, de cada ano, as máscaras que carregamos pela vida, pela eternidade.
A vida são momentos que percebemos nossas realidades interiores. Quando tiramos a máscara social, da perfeição, o que vemos é um ser frágil, que tem medos e tenta superá-los; muitas vezes os mascaramos com outros nomes. A insegurança está ali presente encoberta por uma folha fina de fortaleza. A sabedoria cobrindo a ignorância , a alegria mascarando as magoas, as raivas, o choro, a dor.
Um dia uma simples pergunta que  não lembro de onde veio, mas está latejando em meu interior.
"Do que tenho medo?"
A primeira resposta, a surpresa, o que essa pergunta quer dizer? Não estou com medo de nada, aprendi a ser confiante, a resolver as situações, a me bastar, a estar presente quando me solicitam.
Deixei para trás nestes longos anos da vida tantos medos, tantos sentimentos que neste momento não cabem mais na minha vida.
"Do que tenho medo?"
As lembranças vão surgindo, as pessoas, os momentos tristes e alegres, as dificuldades e as superações; a história vai sendo montada como um quadro com partes bonitas de cores alegres, outras sombreadas, cores até mesmo ausentes e com elas as lágrimas vão rolando, não são de dor, podem ser de saudade, podem ser de vazio, de alegria, de momentos guardados que não puderam ser derramadas e silenciosamente vão fazendo seu caminho rolando de mansinho por minhas faces como um regato em um doce remanso.
Aos poucos elas param e fica uma doce calma. A pergunta volta:
"Do que tenho medo?"
Hora de responder para essa alma sedenta de vida. Tenho medo da vida, do que está por vir, do desconhecido, das novas experiências, de cometer os mesmos erros, ou cometer erros piores.
O que é errar alguém me pergunta. Errar é não corresponder ao que esperam de nós e termos medo das consequências.
A vida é repleta de erros e acertos, cada um tem uma expectativa em relação ao outro e a si mesmo.
Quando erramos, não erramos para o outro, erramos para nós mesmos, para as nossas expectativas de perfeição em nós e o medo que se instala não é do castigo, das consequências, é do nosso orgulho que se trincou, rachou, na nossa onipotência infalível.
"Do que tenho medo?"
Tenho medo de me decepcionar mais vezes comigo mesma, por atitudes, sentimentos que muitas vezes julguei ter e não tenho; tenho medo de ver as expectativas, as esperanças ruírem; deste dar a cara, me mostrar por inteiro e não ser compreendida, como ninguém é inteiramente, cada um é cada um e vê as coisas do seu modo.
É confortável ficar na nossa redoma onde vamos trocando o que não gostamos pelo que gostamos, porém quando vemos a simplicidade de Deus e queremos que essa simplicidade que existe em cada um de nós aflore, vemos como é rodeada por tantos sentimentos e estacas que colocamos ao seu redor e que vamos mostrando para o mundo como máscaras.
"Do que tenho medo?"
De viver a simplicidade de Deus, que acalma e afaga a alma, de julgar e ser julgada, de dar e receber, de amar com simplicidade e ser amada do mesmo jeito, de abrir a janela da alma e ver a luz que vem de dentro se encontrar com a luz que vem de fora no peitoril da janela e não ser capaz de viver essa luz na sua grandiosidade. Tantas vidas falhando, mais uma oportunidade sendo desperdiçada por medos, por palavras, por inseguranças.
A luz aquece a alma ao se encontrar interior com exterior,  palavras se calam e fica no coração o caminho da luz a seguir e perceber que medo não existe, existe orgulho de querer ser o que não se é.

15 de abril de 2016

Novo Olhar

Hoje meus olhos se abriram e viram o velho como novo; quantas mudanças, quantas arestas aparadas.
O novo não precisa ser novidade, pode ser o velho renovado, recriado, repensado, modificado, melhorado, porém a essência, o espírito continua o mesmo. aquela centelha divina nos dando vida e que por tanto tempo e por tantas vezes fica apagada em nosso ser em nossa alma.
Ela quer brilhar nos iluminando o caminho, os passos, as decisões e não permitimos porque queremos grandes respostas, grandes acontecimentos e não a simplicidade do ser, do existir.
O que é a vida?
 Nascer, crescer, envelhecer, morrer e assim ir repetindo por toda a eternidade?
O que é a vida?
Nos surpreendemos quando ouvimos que alguém morreu, mas por acaso não morremos a cada vez que adormecemos e não nascemos a cada despertar?
Nossa vida é um eterno despertar. Não importa se aqui, se na eternidade do universo ou dentro de cada um de nós. O que importa é o despertar e como despertamos.
Se despertamos com a centelha divina brilhando em nós saberemos sempre o rumo certo, mesmo remando contra todas as marés, sempre a veremos brilhar á nossa frente.
Se despertamos com a centelha divina coberta por magoas, pensamentos negativos, rancores e ódios, não temos a certeza do rumo a seguir e seguiremos para onde a maré nos levar.
Somos importantes demais para nos deixarmos levar por uma centelha de luz interior, isso é para os fracos, tudo gira ao meu redor, tenho tanto a fazer, a pensar, a decidir, tantos dependem de mim, de minhas decisões, não posso parar por bobagens de quem não se importa em crescer na vida.
Um dia uma doença, um acontecimento, uma perda irreparável e penso o que fiz da minha vida? Onde me perdi? Onde deixei meu eu?
Agora como farei e o que fazer? Para onde correr? estou só, parece que o mundo parou e não tenho como continuar; tantas pessoas ao meu redor e estou só, não me conheço, não sei como prosseguir...
Sou eu frente ao universo desconhecido. A centelha começa  a brilhar e começo a ver ao meu redor quanta vida não vivida, quanta beleza não vista ou vista superficialmente porque era bonito de ver.
Quantos sons não percebidos, o pulsar da vida dentro de nós.
Vivi dentro de uma caixa que era levada ao sabor das ondas calma, ou tortuosas ou muitas vezes submergindo e subindo novamente.
O que mudou?
Quando o mundo parou a caixa se despedaçou, tive que sair, ver, ouvir e sentir; continuava só, mas o calor da centelha não permitia o isolamento, ficara tantos anos submersa por tantas coisas que agora queria, exigia liberdade.
Liberdade tem um preço e muitas vezes alto. Ficamos diferentes, dizemos sim e não de acordo com nossa vontade, seguimos nossos sentimentos. Muitos nos deixam, outros deixamos nós, a responsabilidade para com o nosso eu aumenta, começamos a perceber o valor de cada passo, de cada amanhecer, de cada despertar. Muitas e muitas vezes dói muito e a cachoeira das lágrimas brota com força total, a força do espírito que está ali lavando tudo, não permitindo que nos afoguemos na piedade, no vitimismo, a coragem é fraca mas está ali de mãos estendidas para que a tomemos e sigamos com nossos passos.
Era fácil pensar seguindo a maré, agora pensamos pelo nosso eu e muitas vezes nos parece impossível prosseguir; ficamos perdidos, carentes, confusos com vontade de abandonar tudo e deixar a vida correr ou terminar ali.
O espírito agora se libertou e precisa prosseguir rumo ao eu livre e sempre nos mostra uma saída, um rumo, fácil ou difícil depende do momento a seguir.
Cabe a nós querermos realmente essa liberdade de um novo olhar ou voltarmos para uma nova caixa ao sabor da maré.

O Despertar

O dia está amanhecendo, está despertando. Uma nova vida nascendo, vidas recomeçando.
Com que cores, sabores, odores, tons e sons este dia será preenchido?
Com o ranço da mágoa ou com o perfume do perdão, da esperança, da paciência, do amor?
Este dia é todo meu, é da vida, do Universo.
Cada pensamento que brota um novo matiz, alguns são alegres, coloridos, outros escuros, sombrios, mas valorizando o colorido, são tão fugazes; vem e vão como um sopro.
A brisa leve nos refresca, renova e acalma. Dá um novo sabor, um tempero especial, próprio, de ninguém mais.
Hoje somente hoje, agora, neste instante, não quero deixar passar; quero fazer da minha vida uma tela com minhas próprias cores, sejam alegres, vibrantes ou escuras e sombrias mas que sejam com as cores da alma. Ao vê-las na tela compreender minha vida e então começar, recomeçar, alterar cores, sabores e odores. Temperar cada cor com os sentimentos da alma e durante o dia ir colocando os nuances para o equilíbrio da obra. Deixar a brisa tomar conta de tudo e o som do universo me embalar em um dia que era novo e com o brilho das estrelas e o luar vai transformando em um novo amanhã, em um novo despertar.

13 de agosto de 2015

O Quebra-Cabeças

Passando em uma loja e vi o quebra-cabeças na vitrine. Me encantei. Entrei na loja, comprei e fui para casa com a ansiedade tomando conta. Quero montá-lo.
Olhei mais uma vez a caixa com seu lindo desenho e decidi vou começar já. Joguei o conteúdo da caixa na mesa e comecei a procurar as peças que se encaixassem.  Enquanto ia montando com muitas tentativas, alegrias, frustrações, tristeza, raivas, vontade de desistir, de deixar pra lá, depois eu faço, depois eu tento, cansei e sempre tentando, sou paciente e determinada quando quero fazer alguma coisa, mesmo assim a impaciência foi tomando conta junto com a frustração.
Enquanto olhava aquelas peças que não se encaixavam em lugar nenhum fui pensando na vida. Nascemos e é como se um grande quebra-cabeças fosse colocado em nossa frente. Sempre pensei que era quebra-cabeça porque afinal sou eu que monto, mas o jogo é igual à vida sempre envolve mais pessoas e são várias cabeças montando nem que seja uma única e importante peça.
Na nossa vida também é assim, vamos dia a dia, momento a momento, encaixando novas peças; às vezes acertemos, outras não, tentamos novamente e quantas pessoas passam ao longo dos anos, ajudando, colocando a peça que faltava para impulsionar nossa vontade de continuar, outras olham e desistem, outras sentam ao nosso lado e tentam conosco, outras na ansiedade de ajudar desmancham o que com tanto esforço conseguimos montar. Sabemos, vimos que não foi intencional, assim fazemos nós ao longo da vida, com uma palavra , com um gesto destruímos o que foi conquistado. Ficamos frustrados. A vida é um jogo de vários quebra-cabeças, precisamos jogá-los sabendo de todos os sentimentos envolvidos e saber recomeçar a cada nova peça, a cada novo jogo.
Como é gratificante quando e bonito quando vemos o desenho quase pronto. Temos mais vontade e determinação de terminar. Quando terminamos quanto orgulho e alegria, chamamos todos para verem, para participar conosco da nossa conquista..
E agora o que fazer? Desmanchar, guardar e em outra oportunidade montar de novo? Colar peça a peça e fazer um quadro e daqui a alguns dias nem olhar para ele porque temos novos desafios?
Nossa vida é assim a cada desafio vencido surge outro; muitas vezes os quadros não são bonitos ou fáceis, mas quando conseguimos montá-los quanta alegria e olhando novamente vemos que não era tão feio como parecia.
Parece que Deus muda nossa nosso olhar quando conseguimos montar o quebra-cabeças, ficamos mais pacientes, determinados , temos mais vontade de começar e recomeçar quantas vezes for necessário. Aprendemos a valorizar quem esteve conosco nesses momentos e não nos supervalorizar-mos, nunca fazemos nada totalmente sozinhos.
Quando o quebra-cabeças da nossa vida vida está totalmente pronto Deus vem recolhe as peças coloca na caixa esperando o novo momento de ser montado novamente.

24 de maio de 2015

Gente que Faz

Gosto de gente que faz!
Gente que faz sorrir, faz rir, faz a diferença, faz de um abraço um renovar, de um beijo nascer um amor incondicional; da tinta um quadro inesquecível; de um espetáculo um mundo de sonhos; de uma palavra um mundo novo; de um momento juntos uma vida nascer.
Gosto de gente que faz silêncio e diz tudo que precisava ser dito; de gente que com uma pergunta nos leva a descobrir nosso eu interior; gente que faz da dificuldade a esperança; do sonho a realidade; do amor a infinidade do ser.
Gosto de gente que faz do seu canto o voo para o nosso interior, faz da lágrima o sorriso; da saudade cria um lugar só de amor.
Gente que é e não tem vergonha de ser; gente que tem medo e faz com ousadia, gente que não brinca com o sentimento, faz nascer sentimentos de amor e esperança.
Gente que faz do respeito seu lema; da paz sua bandeira; da harmônia seu eu interior.
Gosto de gente que faz, que cria e recria quantas vezes for preciso, com uma lágrima, um sorriso, um abraço, um beijo.
Gosto de gente que faz.....

7 de março de 2015

Ser mulher, ser feliz

Ser mulher é ser inteligente, menos inteligente, ser valente, medrosa, amar incondicionalmente, odiar, ser doce, azeda mais que um limão. É ser tudo isso e muito mais, tudo junto e misturado.
Os homens dizem que entendem de tudo, mas não conseguem entender as reações de uma mulher.
São esses nuances que nos fazem ser valentes e morrermos de medo ao mesmo tempo. Quantas e quantas vezes, estamos com o coração apertado, o estomago doendo, um frio enorme na barriga e lá vamos nós enfrentar o que tem que ser enfrentado de cabeça erguida e se for preciso com um sorriso no rosto. Simples assim.
Estamos acabadas por dentro, mas estamos bem, estamos na luta, em busca da vitória.
Quantas vezes estamos fisicamente doentes, esquecemos de nós mesmas e vamos cuidar de um filho, do marido, do pai, da mãe, de uma amigo e da nossa doença Deus cuida, quando deitamos na cama, cansadas, corpo todo doido, querendo só repousar quantas e quantas vezes não temos que com um sorriso deixar o amor acontecer porque amamos quem está do nosso lado e não queremos decepcionar ou preocupar com nosso cansaço, ou então manifestamos nosso cansaço e ainda ouvimos, mas você não fez nada o dia inteiro, ou então, você não me ama mais?
Quantos travesseiros não recebem lágrimas silenciosas de mulheres que não se sentem compreendidas, não se sentem amadas e respeitadas, enquanto seu companheiro dorme o sono dos justos, afinal trabalhou o dia inteiro para sustentar a casa.
A mulher trabalhou o dia inteiro? Foi por prazer, pra mostrar que é capaz.
Cuidou da casa? Afinal ela é a rainha do lar, tem que manter tudo brilhando e organizado.
As crianças, ah as crianças, isso é seu prazer incondicional, afinal a mulher foi feita para ter filhos, cuidar deles e ser responsabilizada, quando algo não vai bem com eles.
Verdade os casais mudaram, agora o homem participa junto com a mulher da criação das crianças, alguns ajudam nas tarefas da casa, mas será que existe realmente respeito, cumplicidade e entendimento verdadeiro por parte de um para com o outro, será que essa mudança permite que cresçam juntos como indivíduos, respeitando as diferenças e a liberdade de atitudes e pensamentos de cada um?
Cada indivíduo é um seja homem ou mulher, seja qual for o tipo de união, todos somos responsáveis por sermos felizes e viver essa felicidade com o parceiro, com a família, com a comunidade onde vivemos.
Queremos um mundo melhor, mas enquanto não percebermos que não somos donos e nem temos poder sobre ninguém, isso não será possível.

29 de dezembro de 2014

Ela a Depressão

Olho para tudo e nada vejo, tenho tudo e nada tenho. A alegria foi embora, o ânimo, quem é esse?
A palavra é não, não vou, não quero, não consigo.
Um mundo lá fora pulsando e eu aqui reduzida a quatro paredes, olhando o mundo por cima dos muros e pelas grades do portão. Vejo e ouço a vida pulsar lá fora, me incomoda, queria essa vida pulsando em mim.
Queria sair, trabalhar, ver amigos, ver pessoas, conversar, rir por qualquer bobagem, mas estou prisioneira, quem é meu carcereiro, eu mesma, me deixei sufocar por meus sentimentos, meus medos, minhas frustrações, pelo desanimo, pelas dificuldades e ela foi se instalando aos poucos, como quem não quer nada e hoje é a senhora do meu ser, da minha vontade, da minha vida.
Ela é a depressão, que tudo derruba, que se apodera de nosso ser, e que sozinha não tenho forças de manda-la embora; quero mas não consigo. Tão poderosa que não me deixa pedir ajuda, e quando consigo pedir, não sou compreendida, sou tachada de preguiçosa, de molenga, de não querer nada com nada e os dias vão passando todos iguais. Ao descobrir uma fresta, em uma luta desigual com ela, procuro ajuda profissional, compreensão, mas não sei me expressar e ela vai cada vez mais se agigantando impedindo que faça um tratamento, até que não me dou mais valor, família, trabalho, amigos, vida própria é como se não existissem mais. Estou aprisionada em mim mesma. O que pode me dar forças para lutar e vence-la, a vontade de recuperar minha vida, mas ela não deixa essa vontade tomar conta do meu ser.
Um olhar, um abraço, um sonho, o mar com sua força, o sol que pulsa de vida, a natureza com sua exuberância de vida, a oração com seu poder divino, não sei. Só sei que dentro de mim em algum lugar existe uma porta sem tranca que preciso abrir, oro para encontrar essa porta, como preciso dar passos ,não a encontro, sei que ela está lá, só esperando minha mão na maçaneta para abri-la e começar uma luta insana contra essa terrível depressão que me domina.

28 de dezembro de 2014

Semeando Harmonia

Temos sempre em nós que precisamos agradar para sermos aceitos. Queremos ter maioria de suas convicções. Quantas vezes deixamos de fazer o que gostamos, ou pensamos para agradar alguém. Como ser nós mesmos em um mundo tão globalizado, temos amigos por causa das redes sociais e facilidades de mudança, de viagens, no mundo inteiro.
Segundo a nossa critica, aceitamos ou não as pessoas do jeito que são. Quando é para  nos aceitarem procuramos ser o mais possível parecidos com o novo amigo ou pelo menos pensar como ele mesmo que não tenha nada a ver.
Ou então seguindo a máxima de que os opostos se atraem, empurramos ao outro nosso modo de ser.
Já ouvimos muitas vezes que somos como uma cebola, com muitas camadas ou máscaras. Só que a cebola quando vamos retirando as camadas não sobra nada e nós quando vamos tirando nossas máscaras vamos vamos-nos revelando seja nosso melhor ou nosso pior.
Bom ou mau, melhor ou pior, tudo depende de quem vê ou da nossa autocritica. Nossa personalidade vai sendo formada conforme nossas experiências, nossas convivências. Trazemos caracteristicas no nosso DNA, que podem ser melhoradas, mas não mudadas.
Sempre queremos mudar, mudança sempre acaba sendo radical, precisaríamos ir nos aperfeiçoando segundo cada momento, muitas vezes até aperfeiçoar a mesma coisa a vida inteira, até termos harmonia interior.
Falamos muito de Paz, que precisamos de paz, o mundo precisa de paz, mas o que é paz sem harmonia interior?
Harmonia interior é estarmos bem conosco e com os que estão ao nosso redor, procuramos manter um equilíbrio exterior para ter equilíbrio interior, porém tem que partir de dentro para fora, preciso amar-me para amar o outro, perdoar-me para poder perdoar, ser alegre para transmitir alegria, ser grato para receber gratidão.
Ao revolvermos a terra do nosso ser, vamos jogando novas sementes e conforme as sementes que semeamos são os frutos que colhemos e que deixamos que as pessoas colham.
Opiniões e sentimentos mudam, mas quando são verdadeiros e estão enraizados em nós, nos trazendo harmonia, não tem que mudar para agradar ninguém, temos é que fazê-los crescer cada vez mais, para termos cada vez mais pessoas harmônicas  ao nosso lado e assim o mundo ir encontrando a harmonia e finalmente a tão desejada paz entre as pessoas, entre os povos, imperando o respeito mutuo e a liberdade consciente.

13 de dezembro de 2014

Asas da Liberdade

Tenho asas para voar e não as uso, minha liberdade é ilimitada e a limito. Sei que minha liberdade vai até onde começa a do outro, então porque acabo invadindo sem respeitar o espaço do outro.
Porque não deixo minha liberdade voar alçar voo com ela?
Podo as asas dela com preconceitos e hábitos arraigados dentro de mim há tanto tempo, que não sobra espaço nem para uma pequena tentativa de voo.
O medo se instala dentro de mim porque ao querer voar externamente, invado espaços, desrespeito, critico, torno-me egoísta, vou me frustrando e cada vez mais diminuindo meu espaço interno, deixando de sonhar, de voar. Porém um dia um raio de luz consegue penetrar  e começa a abrir espaço, começa a retirar as tralhas aí entulhadas, algumas vezes as caixas caem fazendo sombra para o raio de luz, mas a abertura já está feita, a fresta é estreita, a liberdade começa a ter novamente gosto pelo voo e sonha em como retirar todas as caixas e baús aí guardados e poder voar livremente fazendo de seu espaço interior um espaço infinito unindo-se a liberdade exterior sem medos, sem criticas, sem preconceitos, sem velhos hábitos, com a autoestima equilibrada, sabendo seu valor e aonde ir, não permitindo ser esmagada de novo.
Uma liberdade sem inveja, com meu espaço brilhando tanto como o do outro, que saiba respeitar e se fazer respeitar, que não tema, mas também não imponha, seja livre, mas não sufoque o outro, que fale e saiba ouvir, ame e deixe-se amar por inteiro, não só mostrando o seu melhor e o seu pior, que cante quando tem vontade, mas não ensurdeça os outros que estão ao seu redor, dance se tem vontade, porém que não atropele a tudo e a todos, saiba silenciar ouvindo seu interior.
Deixe-se amar não perdendo sua liberdade e não podando a do outro.
Simplesmente ser feliz e livre, respeitar a felicidade alheia e se alegrar com ela.
Um sorriso por ver o outro feliz lava a alma e deixa muitos raios de luz penetrarem na nossa.
Felicidade é simplesmente viver com a alegria das pequenas coisas.
Liberdade é saber o momento certo de voar e o de pousar recolhendo-se ao seu interior com a satisfação do voo realizado.

8 de novembro de 2014

A NOZ

Muitos de nós somos como uma noz. Totalmente fechados, enclausurados em nosso mundinho. Às vezes a casca se entreabre um pouquinho. E não adianta bater, tentar quebrar a casca que ela não quebra. Parece que empedrou. Nada entra, nada sai, porque o entreaberto é apenas uma fresta por onde não conseguimos abri-la (guardei uma noz pequena assim por muitos anos, desisti de abri-la, era minha relíquia, guardava-a guardava-a como se guarda uma pedrinha especial, acabei perdendo-a sem abrir).
Um dia depois de tantas tentativas parece que ela incha por dentro e a uma simples pressão a faz abrir-se  ao meio em duas metades perfeitas.
Quando permitimos que o ar entre pela fresta da casca que criamos em nós, junto vem tudo que está ao nosso redor e não temos mais a casca perfeita que nos isolava de tudo, que era nossa proteção do mundo, mas não de nós mesmos. Vão surgindo pequenas rachaduras. Começamos a criar defesas contra o que consideramos intrusos do nosso eu interior. Nos rebelamos contra todos e contra nós mesmos por termos permitido que isso acontecesse.
Entre alegrias pelas novas descobertas do trato com o mundo exterior e as tristezas pelas lutas interiores, vamos descobrindo novas capacidades, novos horizontes, novos amigos que gostam de nós e não simplesmente tem interesse no que podemos dar.
Um novo mundo se descortina. Sentimos medo, nos aventuramos pelas sombras do medo em busca do sol que sabemos brilhar para nós.
No caminho tropeçamos, levantamos, batemos cabeça, porém vamos percebendo como o mundinho dentro da casca de noz era pequeno, protetor, mas não nos deixava espaço para expansão. Vamos nos expandindo cada vez mais pelas frestas, rachaduras, que se abrem e vamos fazendo novas descobertas de sentimentos e emoções.

18 de outubro de 2014

MUDEI !!!!!!!

Mudei!
Mudei o quê?
Mudei de casa. Fui aos poucos ajeitando como eu queria; enfeitando, remodelando algumas coisas. Será que é como eu queria ou como acho que os outros vão gostar?
Quanto do nosso interior verdadeiramente colocamos em uma casa? Aquele vaso ali vai ficar lindo, mas o Frederico não vai gostar, as crianças podem quebrar, melhor colocar ali, fica bonitinho, não incomoda ninguém e não vai quebrar (como se fosse feito para ser eterno). Assim vamos vivendo nossa vida, nos adaptando a não incomodar, a que nos vejam o menos possível, a sermos como parte integrante dos móveis, da decoração da casa.
Mudamos!
Não de casa, mudamos interiormente, começamos a incomodar, a ser chatos, porque exatamente como todos, dizemos, que não gostamos disso ou daquilo; que não queremos ir aqui ou ali.
Não estamos nos achando bem, estamos nos descobrindo e não sabemos como dizer isso, como demonstrar que existimos como indivíduos, não só como pais, mães, sogras, avós, tios, irmãs, amigos sempre prontos a ouvir, a atender, a fazer, disponíveis vinte e quatro horas por dia.
Queremos falar, expressar sentimentos, voar, sonhar e como fazer tudo isso sem magoar ninguém, nem a nós mesmos?
Nos relacionamentos por mais amor que tenhamos, nos magoamos, somos indivíduos que pensam e sentem diferente, não é por nos magoarmos ou magoarmos o outro que amamos menos ou mais.
Nosso amor é o mesmo, só que mais consciente, saiu do automatismo, mais participativo, mais expresso por palavras e gestos.
Toda mudança tem perdas, ganhos e principalmente muitas esperanças e sonhos.